Mesmo no mundo de hoje, o hiperrealismo (como o de Ron Mueck) tem vez. Vejam as incríveis esculturas deste artista australiano.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Momento para Refletir: mesmo no mundo de hoje, o hiperrealismo tem vez
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quarta-feira, 2 de abril de 2008
Décima Segunda Questão de 2008.1: as três revoluções da arte e a moralidade

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Aviso
Informo que não haverá aula de Estética Filosófica na próxima sexta-feira (04.04.2008). Como atividade compensatória, deve-se cuidadosamente ler o artigo "As Três Revoluções da Arte", sobre o qual muitas das próximas questões versarão.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Décima Primeira Questão de 2008.1: O "Eres lo que lees" e a Moralidade

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Quanto à questão, ela é a seguinte: A omissão em não censurar a obra (salvando a vida do cão) foi correta ou, do contrário, o cão deveria morrer em nome da liberdade de expressão artística? Fundamente a sua resposta.
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Note que esta questão é a primeira da 2AV e vale dois pontos, de acordo com o exposto na seção "Avaliações" do site da disciplina.
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domingo, 30 de março de 2008
Momento para Relaxar: Cenas que gostaríamos de ver

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Décima Questão de 2008.1: O "Terço Erótico" e a Moralidade.

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Quanto à questão, ela é a seguinte: A censura foi correta ou abusiva? Fundamente a sua resposta.
Abs,
Lycurgo
Abs,
Lycurgo
Da Doença do Artista, do Escritor e do Filósofo
Há poucos anos, foi publicada em alguns jornais e também no meu blog "Crônicas de Tassos Lycurgo", a crônica "Da Doença do Artista, do Escritor e do Filósofo", que tangencia algumas questões já tratadas na nossa disciplina. Reproduzo abaixo a crônica, para que os que quiserem possam lê-la e, eventualmente, colocar os seus comentários.
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Da Doença do Artista, do Escritor e do Filósofo
Todo escritor é doente. Todo artista é doente. Todo filósofo é doente. Falo dos verdadeiros, que são pessoas para cujas sobrevivências é necessário mais do que outros precisam para simplesmente existir: aqueles precisam do inútil, do que não tem préstimo ou serventia alguns, como a arte, a literatura e a filosofia.
A arte é inútil. A literatura é inútil. A filosofia é inútil. Se a primeira faz pessoas verem a vida melhor, se a segunda faz pessoas passarem o tempo com alguma nobreza e se a terceira faz homens e mulheres defrontarem-se com problemas de suas existências é que essas atividades estão sendo tomadas não como tais, mas como instrumentos de uma espécie de psicoterapia ocupacional. Arte enquanto arte, literatura enquanto literatura e filosofia enquanto filosofia não têm serventias, senão a de ocupar um vazio, um vácuo, uma lacuna que misteriosamente aparecem no coração de poucas pessoas: os artistas, os escritores e os filósofos.
Se eu não tivesse tanta preguiça de fazer entrevistas e de produzir as suas estatísticas, sairia por aí com uma prancheta perguntando a todo mundo se precisam do inútil para viver. Aposto que encontraria noventa e nove vírgula nove por cento de pessoas que não precisariam do que não tem serventia. Do outro lado, na parcela insignificante da humanidade, estariam os doentes, para os quais é inevitável não se contentar com os limites impostos pela condição da humanidade. Eles precisam existir como humanos sonhadores. Se soubéssemos o que passa na cabeça do sonhador, teríamos até certo constrangimento de caminhar na rua, deixando claro que um jardim mal cuidado e um ar poluído bastam para a nossa sobrevivência.
Para a maioria de nós, basta o pão, a água e alguma distração eventual das coisas reais. Com isso, estamos felizes e vivemos, simplesmente. O artista precisa de mais e, quando consegue, logo vê que aquilo que conseguiu nada lhe trará senão, com muita sorte, alguma fidalguice, mas nunca alguma plenitude. O escritor tem a sua obra, mas não sabe como lidar com o que quis dizer e não disse. O filósofo, como já o escreveram uns, é aquele que não sabe usar a linguagem: fica por aí, criando palavras em línguas mortas (o grego clássico é a preferida) para, depois, debruçar-se sobre o significado que pode ter uma palavra que simplesmente não existe e que ninguém a usa fora do espaço estranho que é criado pelas paredes de uma sala de aula de um curso de filosofia.
Da perspectiva prática, a situação também é doentia, pois escrever é, na realidade, um verdadeiro tédio: é procedimento que muito se estende, quase não acaba nunca e, quando pensamos que está terminado, é hora de jogar tudo fora e começar de novo. Nunca um texto está pronto e nunca estará, mas aquelas horas dedicadas ao que não bem se sabe o que não serão jamais recuperadas. Escrever, nesses termos, é como montar quebra-cabeças ou comer cavaco chinês: apenas uma forma de passar o tempo, de ficar mais velho. Mesmo assim, o escritor, por mais que tente, não consegue deixar de escrever.
Há, ainda, o perigo da esquizofrenia acometer o artista, o escritor e o filósofo. Não raramente, verifica-se em tais pessoas sintomatologia que se manifesta em dissociações entre o que é real e o que é fictício. Muitos deles, inclusive, não são capazes de distinguir essas categorias, colocando de um lado o que pertence à realidade e, do outro, o que é próprio da ficção. Talvez por isso essas pessoas insistam em tentar comunicar algo proveniente de um mundo particular, não acessível. É isso! Eles são autistas que escrevem e produzem arte para comunicar aos da terra as modas interessantes do mundo deles, mas, paradoxalmente, nunca conseguem, pois o limite entre o mundo de fora e o de dentro é mais alabirintado e confuso do que o que possamos imaginar.
De tudo, uma coisa é certa: o artista, o escritor e o filósofo produzem a sua obra para que possam, da perspectiva das suas próprias existências, sentir-se vivos e, em certo grau, livres de suas doenças. É, em resumo, a recorrente tentativa de cura impossível para uma deliberada manifestação de incompletude de si mesmo. É tão triste a incompletude em quem nunca se sentirá pleno. Ninguém, talvez, devesse sentir necessidades que não tivessem uma finalidade prática, pois os que a sentem corroem-se e se consomem. Melhor seria se todos, indistintamente, fôssemos como as plantas, aquelas bem rústicas, que nem de água muito precisam. Vivem e pronto: o resto é extravagância.
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